A busca por fontes renováveis estáveis alcançou um marco histórico com o anúncio de uma certificação inédita para o setor de energia das ondas. O dispositivo C4, desenvolvido pela empresa sueca CorPower Ocean, tornou-se o primeiro conversor de energia oceânica a receber um certificado completo da DNV, organização norueguesa considerada o padrão ouro em validações para o setor marítimo.
Este avanço é fundamental, pois a ausência de certificações rigorosas foi, por décadas, um dos principais obstáculos para o financiamento institucional de projetos no mar. Com este aval técnico, a tecnologia deixa de ser vista como um conceito puramente experimental para se tornar uma alternativa validada e atraente para investidores no mercado global de energia renovável.
Tecnologia inspirada no coração humano
O design da boia C4, que possui 9 metros de largura e 18 metros de altura, utiliza um sistema de controle de fase chamado WaveSpring. Diferente de amortecedores convencionais que resistem ao movimento das marés, este mecanismo atua como uma mola que amplifica a oscilação, funcionando de maneira análoga às válvulas do coração humano.
Em dias de mar calmo, o sistema consegue triplicar a energia capturada, permitindo que ondas de apenas um metro de altura movimentem a estrutura em uma amplitude de três metros. Já em condições de tempestade, o dispositivo ajusta sua rigidez para permitir que as ondas passem com resistência mínima, protegendo a integridade estrutural do equipamento contra danos severos.
Sete anos de rigorosos testes técnicos
O processo de certificação da DNV exigiu uma análise minuciosa que se estendeu por sete anos, cobrindo desde o design inicial e fadiga estrutural até os processos de fabricação e sobrevivência em cenários climáticos extremos. A validação foi consolidada após o protótipo operar de forma autônoma na costa de Portugal desde 2023, a quatro quilômetros da costa.
Durante esse período de testes, o equipamento enfrentou com sucesso condições intensas, incluindo a passagem da tempestade Domingos em 2023, que registrou ondas de 18,5 metros de altura. Esse desempenho em situações reais foi determinante para que a certificadora atestasse que o dispositivo pode operar no ambiente oceânico sem sofrer avarias catastróficas.
A viabilidade das fazendas oceânicas
A estratégia comercial da empresa envolve a criação de arranjos conhecidos como CorPacks, onde dezenas de boias são conectadas para gerar megawatts de potência. Diferente da energia solar ou eólica, as ondas mantêm um padrão de movimento constante, o que oferece uma saída de energia mais previsível e estável para a rede elétrica nacional.
A empresa planeja agora a implementação de parques comerciais em Portugal e na Escócia, com previsão de operação entre 2027 e 2029. O objetivo é estabelecer a tecnologia como a terceira maior fonte de energia renovável, servindo como uma base de equilíbrio que pode reduzir a necessidade de sistemas de armazenamento de energia em larga escala.
FAQ: Perguntas frequentes
- O que é a certificação DNV? É uma validação técnica rigorosa que atesta a segurança e a viabilidade operacional de equipamentos, essencial para garantir o apoio de bancos e investidores no setor de energia.
- Por que a energia das ondas é considerada mais estável? Devido à inércia dos sistemas climáticos oceânicos, as ondas mantêm um fluxo contínuo de energia, diferentemente da intermitência inerente ao sol ou ao vento.
- O projeto já é comercial? O C4 está em fase de transição para a escala comercial, com os primeiros parques em desenvolvimento para os próximos anos após a conclusão bem-sucedida dos testes com protótipos.
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Fonte e metodologia
Este artigo foi elaborado a partir de informações publicadas por newatlas.com, em 21 de julho de 2026. Consulte a publicação original: 100-ton buoy earns wave energy's first world safety certificate. O HTechBD reorganizou e contextualizou os dados para o público brasileiro, sem reproduzir o texto da fonte.
Imagem publicada originalmente por newatlas.com. Direitos pertencem aos respectivos titulares.
